Riachão do Jacuípe - BA

População: 33.666 habitantes (2009)

Gentílico: jacuipense

Área da unidade territorial (Km²): 1.227

Bioma: Caatinga

Localização: 190 Km de Salvador

Localização e Geografia:

A sede municipal fica situada às margens do rio Jacuípe, e cortada pela rodovia federal BR-324, a 190 Km de Salvador, e 75 Km de Feira de Santana, cujo município de Riachão do Jacuípe, com uma área territorial de 1.227 Km², situa-se no Território da Bacia do Jacuípe no semiárido baiano.

Potenciais Turísticos:

Banho de rio é o lazer mais procurado por turistas no município. Barragens como a sede do município e do Distrito de Barreiros são as mais frequentadas. Os amantes da natureza e do ar puro também podem participar de passeios de carroças, ou mesmo em carros fretados e particulares, para documentação fotográfica ou de filmagens, em áudio e vídeo, possibilitando o registro de elementos da natureza e artefatos cultura.

Principais atividades econômicas:

Sua economia está voltada para a pecuária, agricultura de subsistência, comércio e serviços, destacando-se na pecuária as atividades com os rebanhos bovino, ovino e caprino. Na indústria, a fabricação de blocos no Distrito de Barreiros, calçados e beneficiamento de sisal na sede do município. A rede hoteleira é satisfatória na sede do município, que conta com acomodações amplas e confortáveis, estando disponíveis os meios de comunicação, tais como telefone, televisão, internet, rádios e jornais.

Histórico:

Riachão do Jacuípe conquistou sua emancipação político-administrativa em 14 de agosto de 1928, desmembrando-se do município de Jacobina, quando contava com uma extensão territorial de mais de 4.000 Km², incluindo-se à época os atuais município de Candeal, Ichu, Gavião, Capela do Alto Alegre, Pé de Serra e Nova Fátima.

Origens Históricas:

Segundo o historiador Luiz Henrique Dias Tavares a conquista do território baiano começou na primeira metade do século XVI.

Diversos sertanistas penetraram no interior baiano, por volta do século XVII, com várias finalidades, tais como: guerrear com os índios, capturar índios ou escravos fugitivos, procurar minérios e pedras preciosas. Em conseqüência, recebiam grandes lotes de terras, denominadas sesmarias.

Casa da Ponte era o centro de uma propriedade de 160 (cento e sessenta) léguas do Morro do Chapéu até o rio das Velhas e pertencia a Antonio Guedes de Brito, primeiro Conde da Ponte. Era doação do rei de Portugal em retribuição aos serviços prestados por seu pai na expulsão dos holandeses e a ele mesmo, concedendo-lhe o título de Mestre-de-Campo e Regente do São Francisco. Ele deveria expulsar ladrões de gado, contrabandistas de ouro, negros aquilombados e outros aventureiros.

As terras do Conde da Ponte limitavam-se no município de Riachão do Jacuípe com as propriedades de João Peixoto Viegas, a terceira maior fortuna fundiária da Bahia no período colonial.

Dessa sesmaria foi desmembrada uma área de terra para João dos Santos Cruz, que a transformou numa fazenda de criação de gado denominada Riachão. Situava-se à margem esquerda do rio Jacuípe, cujo nome vem de Jacuhy, Jacu-y, que quer dizer “rio dos jacus” e pode também proceder de Yacui, o “rio enxuto”, ou “rio temporário”.

Primeiras aglomerações urbanas:

O tradicional histórico do município de Riachão do Jacuípe não oferece datas ou outras referências mais precisas em tomo da penetração primitiva. Apenas a tradição oral fornece elementos para a formação de algumas suposições mais prováveis, como a de terem sido remanescentes de alguma “bandeira” que aqui penetrou na fase colonial, século XVI. Seu povoamento deve-se à localização à margem esquerda do rio Jacuípe, onde se verificou a fixação primitiva do elemento branco. Na região do rio Tocós foram encontrados vestígios da cultura indígena. A tradição oral informa ter sido ali o local de fixação de índios “tocóios”, de onde derivou o nome do rio. O nome Jacuípe é de origem indígena, donde se conclui que o povoamento se deu, inicialmente, com os índios que se fixaram às margens dos rios Tocós e Jacuípe, onde desenvolveram uma agricultura de subsistência.

Sabe-se que as famílias mais antigas de Riachão eram os Gonçalves e os Mascarenhas provavelmente de origem portuguesa.

Em 1950, as primeiras aglomerações urbanas eram:

A sede com um registro de 1.552 habitantes, e as vilas de Candeal com 875 habitantes, Gavião com 390 habitantes e Ichu com 426 habitantes.

Figuravam ainda no município de Riachão do Jacuípe os povoados de Alto Alegre, atual município de Capela do Alto Alegre, com 183 habitantes, Quilômetro 90, atual município de Nova de Fátima, com 343 habitantes, Pé-de-Serra, hoje município de mesmo nome, com 335 habitantes, Chapada com 300 habitantes, e Barreiros com 173 habitantes.

Haviam outros povoados com menos de 100 habitantes: São João, Casa Nova e Ponto Chique.

Reminiscências e Histórico mais recente:

As lembranças do que a alma contemplou em momentos anteriores, registram que a povoação teve início com a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição, em 1847, quando foi levado à categoria de freguesia como padroeira Nossa Senhora da Conceição de Riachão do Jacuípe.

A elevação à categoria de vila ocorreu em 01.08.1878, quando então foi nomeado o seu 1º intendente, como principal autoridade, o Tenente Coronel Marcolino Gonçalves Mascarenhas, cujo período denominado de “coronelismo” perdurou até o ano de 1954, portanto, foram 76 anos de dominação pelo regime, em que a Igreja Católica esteve presente em vários momentos, com a participação de alguns dos seus integrantes, a exemplo de padres, no posto máximo de intendente, em que se destaca o Cônego Henrique Américo de Freitas, político exaltado, cujas pregações na igreja local eram garantidas pela utilização de forças intimidatórias e protecionistas.

A emancipação político-administrativa ocorreu em 14.08.1928, elevado à categoria de município através da Lei Estadual nº 2.140, embora o controle político continuasse em poder dos “coronéis”, assumindo o cargo de Prefeito o Cel. José Rufino Ribeiro Lima, este transformado de intendente em prefeito.

Em 1954 Riachão do Jacuípe participa de sua primeira experiência democrática, ainda de forma incipiente, na sucessão municipal, encerrando um longo ciclo de dominação do “coronelismo”, havendo sido eleito prefeito municipal o Sr. Pedro Paulo da Silva, funcionário público, da então denomina Coletoria Estadual, embora sendo ele remanescente do regime controlado pelos chamados “coronéis”, haja vista integrar a família de um deles, porque casado com uma das filha do Cel. Theodomiro Rodrigues Mascarenhas, este, opositor ao seu irmão o Cel. Aurélio Rodrigues Mascarenhas.

A partir de 1954 enfraquece o poder do “coronelismo”, determinando a sua extinção, para consolidar um regime político democrático, com a prevalência do voto livre e independente, embora ainda guardando sequelas de dependências impostas pelo regime extinto, passando o foco da política local ao “assistencialismo”, motivado pelos índices de pobreza e analfabetismo da população.

A história política de Riachão do Jacuípe será escrita, no futuro, pela participação de homens e mulheres, jovens, adultos e idosos, motivada pela ideologia de muitos que se consagram no desejo de alcançar dias melhores, igualitariamente para todos, cujos caminhos passam necessariamente pela educação, saúde, trabalho e o domínio de novas tecnologias.

Principais manifestações culturais:

O município de Riachão do Jacuípe é rico em tradições culturais, onde se destacam as festas juninas, vaquejadas, sambas de roda, cantorias, reisados, repentes, aboios, festas de vaqueiros, cavalgadas etc., com vasta programação durante todo o ano, oportunizando meios para que todos possam participar e tomar conhecimento dessas alegrias manifestadas por sua gente, hospitaleira, acolhedora, e de fácil construção de amizades. O São João é o principal evento de massa do município.